Por William Ferreira
Cerca de 22 mil veículos trafegam diariamente pelos cerca de 183 km que cortam o Sul do Estado na BR-393 - Rodovia Lúcio Meira - um dos principais eixos logísticos do interior do estado do Rio de Janeiro, exercendo papel estratégico no desenvolvimento econômico da região.
No entanto, a mesma malha viária que atende diretamente uma população que ultrapassa 1 milhão de pessoas, tem causado muita tensão em motoristas e motociclistas que hoje não mais trafegam, mas sim, se arriscam sobre um asfalto defeituoso, esburacado e que causa diariamente dezenas de incidentes ao longo do trecho que percorre os municípios de Volta Redonda, Barra Mansa, Barra do Piraí, Vassouras, Paraíba do Sul, Três Rios, Sapucaia e Rio das Flores.
Após trocar de mão nos últimos anos, a concessão da rodovia era atendida até junho de 2025 pela empresa K-Infra Rodovia do Aço S.A, que apesar de ser considerada ineficiente, ainda mantinha um trabalho mínimo de recuperação do trecho e serviço de atendimento médico/mecânico aos motoristas. Mas o fim da concessão, determinado de forma abrupta pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ordenando que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), fizesse a retirada de todos os colaboradores da concessionária, parecia o começo de uma possível solução. Só parecia...
INÍCIO DO CAOS
Nos últimos 10 meses, o trabalho insatisfatório da K-Infra foi trocado pelo completo e criminoso abandono da rodovia. Ao trafegar pelo trecho, é possível perceber centenas de veículos desviando dos buracos, muitas vezes invadindo a pista contrária, devido às áreas de sombras que impossibilitam visualizar os mais de 100 buracos, contabilizados apenas no trecho de Volta Redonda a Vassouras. Basta percorrer o trecho e facilmente você encontra com motoristas parados no acostamento cheio de mato, lamentando o pneu furado ou a roda empenada, esperando um socorro mecânico, enquanto o socorro político para uma resolução, segue a passos de tartaruga.
Talvez, quando o mato que domina partes da rodovia, também ultrapassar a altura do radar de Dorândia, impossibilitando as câmeras de registrarem multas, aí sim, ao menos um serviço de limpeza básico será realizado.
Enquanto isso, o que resta aos motoristas é rezar ao colocar o cinto de segurança, já que o prejuízo financeiro ainda pode ser absorvido, mas o risco iminente à vida, esse está com um alvo apontado para cada um que trafega pelo corredor logístico de grande importância financeira e nenhum valor humano.
E em ano eleitoral, daqui a pouco a rodovia estará lotada de candidatos a deputado, com uma câmera na mão, discurso afiado nas redes sociais, contudo, sem qualquer perspectiva de uma resolução concreta.
Como resposta, o Governo Federal anunciou no mês de março investimentos na ordem de R$ 50 milhões para recuperação do pavimento e melhorias operacionais, reconhecendo a urgência de requalificação da via. "Determinamos o início imediato das obras de recuperação da BR-393 no trecho do Sul Fluminense, com mobilização das equipes a partir da próxima semana", afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho.
O início imediato não veio, ainda. Só esperamos que a ajuda anunciada, máquinas e equipes não tenham caído e sido absorvidos pelos buracos da BR-393 - A Rodovia do Abondono.
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