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Sabado, 18 de Abril de 2026

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Coral de Libras eleva a sensibilidade e busca inclusão em Miguel Pereira

Coral conta com 87 crianças de 6 a 11 anos, além de formar sua primeira turma adulta.

Coral de Libras eleva a sensibilidade e busca inclusão em Miguel Pereira
Divulgação
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A música possui um papel importante na educação das crianças. Ela contribui para o desenvolvimento psicomotor, sócioafetivo, cognitivo e linguístico, além de ser facilitadora no processo de aprendizagem. E no município de Miguel Pereira, uma professora uniu a força presente na musicalidade ao desejo de ampliar a comunicação de crianças com problemas auditivos. O resultado foi a criação do Coral de Libras Sentindo na Pele, o qual reuni crianças de 6 a 11 anos e tem sido um dos principais destaques de programas de inclusão na região.

O Coral conta com 87 crianças, todas da Escola Municipal São Judas Tadeu. O mais curioso, é que apenas dois participantes possuem deficiência auditiva. Todas as outras abraçaram a ideia da professora Fernanda Cosendey, aprendendo a disciplina de Libras e ajudando os amigos nessa imersão de companheirismo e cidadania.  

“O coral surgiu na iniciativa de aproximar cada vez mais os alunos. Eu faço mediação de dois alunos surdos, ambos da terceira série. E buscando uma forma em que todos pudessem interagir e manter a comunicação ativa, pensei e envolver a escola inteira, para que todos pudessem experimentar essa nova língua e se colocar no lugar do outro. As coisas ficam tão mais claras quando nos colocamos no lugar do outro. Escolhemos esse nome, Sentindo na Pele, porque a gente sente a mensagem tanto ao passar durante as apresentações, quanto para quem recebe. É algo que mexe com a sensibilidade de quem participa. É envolvente e emocionante partilhar sentimentos”, explica Fernanda, professora há 27 anos e especializada em educação especial.

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Com o sucesso em suas apresentações, o Coral, recentemente recebeu uma Moção Honrosa da Câmara Municipal. No evento, foi destacado o trabalho da equipe de professores e a dedicação de Fernanda, a qual por mais de duas décadas, vem atuando na educação e inclusão das crianças e adolescentes.

“No nosso dia a dia, vemos muitas pessoas que trabalham por amor, pela satisfação de levar coisas boas por onde passa. E assim tem sido o trabalho da professora Fernanda e sua equipe em nossa cidade. O Coral de Libras não é só um evento de música, mas também um momento onde nós vemos que podemos ser um pouco mais com nossos semelhantes, que podemos agregar, ser mais sensíveis as dificuldades que outras pessoas possam sentir. Nossa homenagem vai também para as crianças que, mesmo sem a deficiência auditiva, assumiram o papel de protagonistas ao estarem ao lados dos seus amigos”, revela o vereador Kiki, autor da Moção.

E a participação do Coral, que começou com pequenas apresentações na escola, ganhou corpo, venceu muros e se tornou uma grande atração na cidade. E se hoje existe o projeto para ampliação para mais de 200 alunos, abrangendo todos os períodos da escola, uma outra célula do projeto, arquitetada apenas para ser uma pequena homenagem aos professores no fim ano, encantou e virou atração fixa; o Coral de Libras dos pais de alunos.

“Eu pensava em uma forma de homenagear os professores e a equipe com um todo; merendeiras, faxineiras e pessoas que lutam o ano inteiro pelos alunos. Então começamos a ensaiar com os pais, escondidos, à noite, para prestar essa homenagem em Libras no fim do ano. E foi tudo tão especial, eles compraram a ideia, foi tão bacana, que hoje temos um grupo de 26 pais, atuantes e que ensaiam para as próximas apresentações”, releva Fernanda, que finaliza ressaltando a importância do ganho dos alunos, longe do ambiente escolar.

“Uma aluna minha veio correndo me contar que foi no mercado e descobriu que tinha uma moça surda e começou a conversar com ela. Ela contava entusiasmada. Por essas situações você percebe que estamos no caminho certo. Fazemos parte de um mundo onde todos são diferentes. Então, qual o problema em ser diferente? Ser diferente motiva, nos faz crescer”, finaliza Fernanda, que também é Pós-Graduada em Deficiência Auditiva pela UniRio e também mantém o trabalho de eletiva de libras com turmas do ensino médio em uma escola particular do município.

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