Muitos turistas que chegam ao município de Valença, seja de ônibus ou de carro, não sabem que dentro da rodoviária, mais precisamente no segundo andar, funciona o Museu Ferroviário de Valença. Apesar de pequeno, o espaço inaugurado em setembro de 2011, pela UVAFER - União Valenciana para Preservação Ferroviária - carrega uma importante e charmosa parte da nossa história. No acervo, mais de 150 peças centenárias, como sinos, placas de locomotivas, telégrafo, relógios, bancos e lampiões da época, além de objetos pessoais dos funcionários da Rede Ferroviária Federal e imagens que mantêm viva a memória da ferrovia no Brasil.
O ambiente para transmitir toda essa rica história não poderia ser mais apropriado. Atual rodoviária interestadual, o local que abriga o Museu Ferroviário foi construído em 1914 e idealizado como estação para servir de integração para o Ramal de Jacutinga, o qual ligava Valença x Desengano (hoje, Juparanã), até a rede sul-mineira. Apesar de manter até hoje as características de sua construção, a Estação-Rodoviária necessita de uma reforma para realçar a beleza do local, onde até o início da década de 70, os trens e seus passageiros circulavam pela cidade.
Box: HISTORICO DA LINHA: O Ramal de Jacutinga teve a sua origem na Cia. E. F. União Valenciana, aberta em 1871 e que ligava Valença a Desengano (Juparanã). Em 1880, foi prolongada até Rio Preto-MG. Somente em 1910, com a criação da Rede Viação Fluminense pela EFCB, foi criado um ramal unindo Governador Portella a Barão de Vassouras e daí se fez a bitola mista, unindo-se Portella a Rio Preto. Ao mesmo tempo, era prolongada a linha até Santa Rita do Jacutinga, na Rede Sul-Mineira. Entretanto, de 1971 a 1973 os trechos foram extintos e os trilhos retirados. (Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil)
E se do lado de dentro do Museu a história se faz presente nas réplicas de locomotivas, nos objetos utilizados na época, documentos e fotografias, do lado de fora, ao lado da estação, três carros de passageiros, já sobre trilhos, começam a dar vida em um ambiente que promete ser um novo cartão postal da cidade. Os vagões foram adquiridos através de uma doação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Eles estavam abandonados no pátio ferroviário de Santos Dumont-MG, e com o auxilio da MRS e de carretas, foram levados até Valença e restaurados inicialmente na parte externa.
Box: Os Carros Metálicos de Passageiros, foram fabricados nas Oficinas da IRK-21 da Central do Brasil em Valença entre 1964 e 1971.
Aos poucos, com muita vontade e busca por parcerias, o museu vai ganhando forma e se consolidando como uma importante referência da história da ferrovia estadual. Inspiração e boas ideias não faltam, segundo um dos administradores do Museu, Marco Antonio Silvestre.
“O Museu Ferroviário de Valença foi inspirado no Museu de Juiz de Fora, e tem como objetivo resgatar toda história e cultura ferroviária desenvolvida em 100 anos de ferrovia em nossa região e continuar contando essa trajetória fascinante para as próximas gerações. Temos aproximadamente 150 peças, todas catalogadas e sua maior parte registrada no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)”, relata Marco Antonio.
O museu funciona de terça a sexta, de 9h ao meio dia e das 14h as 17 Horas. No sábado, a visitação é aberta de 9h ao meio dia. No local ainda não é possível comprar lembranças como ímãs de geladeira, cartões postais ou outro suvenir. Mas, apesar de sair do museu sem nenhuma lembrança em uma sacolinha, na memória ficará registrado objetos que certamente fizeram parte de vida de algum parente, avô, bisavô, os quais ajudaram a construir a história da ferrovia fluminense.
E para ajudar a aumentar o acervo, os administradores contam com a ajuda da população, já que muito dessa história pode estar perdida em baús, garagens e locais que, com o passar dos anos, ficam abandonados.
“Isso é muito importante pra gente. Quem tiver fotos, peças ferroviárias, livros ou algo relacionado com trens e ferrovias da nossa região ou até mesmo fora, e que queiram doar, é só entrar em contato pessoalmente ou por telefone com uma das nossas colaboradores, Sra, Bete (24) 98837-1884. Todas as doações serão bem-vindas e devidamente registradas no nome do doador”, explica Marco Antonio.
Box: Os Carros de Passageiros metálicos foram externamente restaurados com funilaria e pintura e se encontram no momento em fase inicial de reforma interna para acomodar as diversas atividades lúdicas e culturais que serão implantadas.
E falando em doação, recentemente o museu incorporou em seu acervo um importante item que certamente servirá de pano de fundo para muitas fotos e selfies na cidade. Uma Locomotiva a vapor foi doada ao patrimônio da UVAFER e depende apenas de transporte para ser levada até o município.
“Conseguimos a doação de uma locomotiva a vapor, item símbolo desse projeto e que irá contribuir muito para nosso museu. Ela está localizada na cidade paulista de Sorocaba e está em estado crítico, necessitando urgente de reforma. Para isso, precisamos de orçamento para custear tais processos e tratar de sua remoção até Valença”, acrescenta o administrador.
Apesar de ter um baixo custo de manutenção, o Museu Ferroviário é mantido por uma sociedade sem fins lucrativos e necessita de parceiros para colaborarem no financiamento das reformas dos vagões e da locomotiva. Atualmente, a prefeitura de Valença oferece apoio cedendo o espaço para o funcionamento do Museu, além de custear a manutenção de um funcionário para atendimento no local. Os empresários e a população também pode ajudar no desenvolvimento do projeto. Para ser um associado, basta comparecer pessoalmente e ver a forma mais acessível.
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